| Os carros da linha Ford
Galaxie,
incluindo LTD e Landau, foram os maiores, mais luxuosos e, conseqüentemente,
os mais caros automóveis fabricados no Brasil.
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Feitos na
concepçâo clássica dos carrões americanos ( chassi de longarinas,
carroceria três volumes, quatro portas, motor V-8 dianteiro e tração
traseira, muito espaço e alto desempenho), marcou época no Brasil e
durante os 16 anos que esteve em produção, não teve concorrentes ( os
Dodge ficaram numa faixa mais esportiva e menos luxuosa)
Mas veio a crise
do petróleo e levou com ela nossos V-8. Porém, até hoje a Ford do
Brasil recebe pedidos e reclamações... muita gente ainda quer os V-8!
Em 1967, o homem começa a dar seus passos definitivos na conquista da
lua, a crise da gasolina ainda não passava de especulação e o luxo
estava na moda. Era o momento ideal dos brasileiros terem um carro
realmente de luxo. Assim surgiu o Galaxie. Precursor em quase tudo que
surgiu de mais moderno em termos de mecânica, tecnologia, conforto,
enfim, o que que foi lançado nele, é sucesso até hoje.
Lançado como primeiro carro verdadeiramente de luxo do Brasil, o Galaxie,
desde seu nome, já sugeria alguma identificação espacial. E a idéia ia
longe, chegando até mesmo no nome das cores: bege-terra, vermelho-marte,
cinza-cósmico, preto-sideral, azul-infinito, verde-noturno,
branco-glacial, azul-ágea... Equipado com o motor 272'', 4.460cc V-8 e
potência de 170 CV a 4.400 rpm, chegava ao Brasil o primeiro carro
que unia potência, conforto e classe, a mais luxo.
BEM
SUCEDIDO
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Não deixando nada a
desejar para os importados de luxo da época, o Galaxie era resultado de
um projeto vultoso da Ford norte-americana sob comando de Lee Lacocca que,
para lançar o modelo nos Estados Unidos, em 1965 investiu US$ 250
milhões. Como comparativo, p projeto do Mustang, da mesma época,
consumiu investimentos da ordem de US$ 40 milhões.
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Levando-se em consideração o público a quem se destinava, o Galaxie nas
suas cinco versões brasileiras ( Galaxie, LTD, Standadrd, 500 e Landau),
vendeu 87.647 unidades em 16 anos de vida. E o que mais impressionava na
carreira desse carro, era sua constante atualização. Apesar de ter
praticamente nascido e saído de fabricação com a mesma linha (foram
poucas as modificações estéticas), o Galaxie manteve-se sempre um carro
atual.
Apenas um ano após seu lançamento, o Galaxie já ganhava
inovações. Em 1968 ele recebeu painel estofado, tapetes do porta-malas
em buchê retrovisor externo ( naquela época esse acessório ainda não
era obrigatório) e atingia em setembro de 1968 o índice de 13.700 carros
produzidos.
Mas foi em 1969 que o Galaxie, com público fiel e bem definido, recebeu
sua primeira ''grande'' alteração: as grades e frisos foram
reestilizados, e novas cores surgiram, porém agora com nomes mais
''terráqueos'': cerceta-metálico, bege-metálico-monza,
verde-metálico-caribe, prata-metálico, amarelo, vermelho-meteoro e
azul-metálico-nutico.
A maior novidade, no entanto, no entanto, foi o lançamento da versão LTD,
um modelo mais luxuoso que o 500. Surgiram nessa época a transmissão
automática (opcional, o motor 292 (também opcional) de 4.800cc com 20CV
de potência a mais (188 CV) espelho para maquilagem no quebra sol
direito, nova articulação da alavanca de câmbio, freios dianteiros com
tambores mais largos e regulagem mais automática, novo silenciador,
frisos e calotas. Também surgiram como inovações a abertura do capô
com acionamento no painel, o lampejador para faróis e teto de vinil. A
antena, que antes vinha instalada à direita, mudou para a esquerda e
passou a ser totalmente embutida.
Em 1970 houve nova oferta de cores, alteração de frisos e, em
contrapartida ao LTD que completava seu primeiro ano de existência surgiu
o Galaxie Standard: sem relógio, com direção mecânica, sem
desembaçador e frisos, com estofamento de plástico e calotas pequenas.
Já em 1971, os modelos existentes tiveram as lanternas traseiras
reestilizadas, o estofamento de couro (opcional) e chega o top da linha, o
Landau, com vidro traseiro pequeno e enfeites tipo ''compasso'' nas
''colunas'' C.
Em 1972, as novidades foram poucas, mas importantes: o freio a disco e
servo-freio na parte mecânica e, aumentando ainda mais o conforto, ar
quente e opcional. Mas se o Glaxie era o que todos esperavam de um carro
de luxo, termina a curta trajetória do modelo Standard em 1973. Neste ano,
para os demais (Galaxie,LTD e Landau) novos desenhos na traseira (pára-lamas),
lanternas e tampa da mala dianteira também são modificadas, a grade,
lanterna e pára-choques são novos, assim como as opções de cores.
Depois, por mais dois anos, poucas modificações. Em 1974, apenas novas
cores, e em 75 muda o aro de buzina ( passa a ser preto-fosco) e é
colocado pisca-alerta. GRANDES
MUDANÇAS Foi no
ano de 1976 que ocorreram as maiores modificações desde o seu
lançamento: a começar pelo novo motor 302 V-8 importado de 4.949cc, com
197 CV de potência e 7,6;1 de taxa de compressão. São oferecidos três
modelos: Landau, LTD e Galaxie 50, todos com suspensão recalibrada. O
Landau a versão mais luxuosa, é oferecido exclusivamente na cor
prata-continental. Todos os modelos vêm com novidades: grades, capô,
lanternas dianteiras e traseiras, disposição dos faróis e tecidos de estofamento.
Na parte mecânica, a novidade foi a colocação do cilindro duplo do
freio. E no final de 76, foram equipados com pneus radiais, rodas de seis
polegadas e diferencial com relação mais longa, de 3,07;1, no
automático. 
Quando o
Galaxie comemorava 10 anos produção no Brasil, 60mil carros já haviam
sido fabricados. Nesse mesmo ano, 1977, houveram algumas modificações na
mecânica, como motor com cabeçote redesenhado, 7,8;1 de taxa de
compressão, velas com rosca de 14mm, coletor de admissão redesenhado,
rercalibragem do distribuidor e novos pistões que traduzidos,
significaram 198 Cv a 4.400 rpm.
O Galaxie conseguiu ser, além de um carro tradicional, também um modelo
moderno. Acompanhado as tendências da moda, a linha 1978 surgia com
estofamento em nylon cinza aveludado, e a cor do Landau passou para o
cinza-grafite. Também foi modernizado o volante, que ficou com quatro
raios. Na parte mecânica, o motor ganhou hélice de aço (passo
variável), mais silenciosa. SINAL
DOS TEMPOS Apesar
de todo o apelo futurista da época do seu lançamento, a crise do
petróleo era uma realidade. E o Brasil aparecia como uma grande
solução: o álcool como combustível alternativo. E em 25 de junho de
1979 foi entregue o primeiro Landau a álcool ao então presidente João
Figueiredo. Mas, não foi só álcool que surgiu como novidade naquele
ano. Foi aumentado o tanque de combustível (passou para 107 litros de
capacidade), ignição eletrônica, hélice hidrodinâmica, carburador de
venturi variável, com filtro de ar de alumínio, além do ar condicionado
embutido no painel e cintos de segurança retráteis. Este foi o ano do
último modelo 500, restando para o mercado apenas as versões LTD e
Landau.
Com a crise do petróleo no início dos anos 80 estava chegando ao fim a
história dos mais luxuosos de todos os carros brasileiros. Ele só teria
mais três anos de vida. Mas, mesmo assim a Ford mantinha o padrão de
qualidade e trazia novidades para o LTD e Landau. Em 1980 o modelo recebeu
o escapamento duplo e a cor predominante dos Landau passou a ser o azul
clássico. Voltam o carburador antigo e o filtro de ar metálico. O cinto
de segurança deixou de ser abdominal e passou a ser retrátil
transversal, embutido nas colunas das portas. O porta-malas passou a ter
duas abertura acionada do interior do veículo, a antena era automática e
o carro passou a ter barra estabilizadora traseira.
Uma nova barra estabilizadora e molas recalibradas apareceram na linha 81,
que também recebeu novas pinças de freio - maiores - e cintos retráteis
de rês pontos fixados nas colunas. Em 1982, houve modificação nas
chaves de portas e contato e foi instalada uma grade no vão do
pára-choque dianteiro.
Finalmente chegou em 1983, e com ele o fim da produção da linha Galaxie/Landau.
Mesmo sendo seu último ano, o carro recebeu a primeira calota presa com
parafusos(rosqueadas), mas as inovações pararam por ai. Com o fim do
Ford Galaxie e toda sua linha, chegava ao fim também era de luxo,
conforto e classe. O Brasil estava acordando para uma triste realidade. Os
possantes V-8 iriam deixar saudade. Mas, seu público, mesmo com poucas
opções, continua fiel. Não raro se vê pelas ruas um reluzente Landau
desfilando lembranças boas, da época em que uma vida melhor não era
apenas uma sonho. GALAXIE,
UM PERCURSOR Numa
rápida volta ao passado vamos encontrar muitas soluções que se hoje
são até comuns em muitos carros de linha, no Galaxie foram uma
inovação. Para não ficar muito extensa, ai vai a longa lista das
inovações que surgiram no Galaxie: transmissão automática, diferencial
anti-derrapante, lubrificação para 50.000 quilômetros, ar condicionado,
direção hidráulica, desembaçador com três velocidades, ar quente
regulagem automática dos freios, pneus sem câmara, porta-malas com
sistema de controle remoto elétrico para abertura, carroceria programada
para deformação em caso de impacto, troca de óleo para 10.000
quilômetros, freio de estacionamento acionado com o pé, luz de advertência
intermitente do freio de estacionamento, dobradiças que mantêm portas
abertas em duas posições, quebra-ventos com acionamento por manivelas,
servo-freio, maçanetas internas escamoteáveis,fechaduras das pontas
resistentes à tração de até uma tonelada, pára-brisas fixados com
''clichê'' ao invés de borrachas e chaves de contato e portas que
funcionam em qualquer lado. UM
SENHOR MOTOR
| Uma
das razões do sucesso do Ford Landau no Brasil foi, sem dúvida, o uso do
motor 302 V8, de4.949cc de cilindrada e 199CV de potência. Este motor,
fabricado nos Estados Unidos ou no México e exportado para o Brasil via
Canadá - daí o apelido ''canadense'' - substitui em 1976 o motor V8 de
292 pol3 (4.785cc) que equipava o Galaxie desde 1969. |
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O motor 302 V8 foi
lançado nos Estados Unidos em 1968 equipando os Mustang e chegou ao
Brasil em 1973 Com os Maverick GT, passando a seguir para os Galaxie. Não
foi o motor mais potente do Brasil (perdia para os Dodge Charge de 215 CV)
mas foi um dos mais marcantes e bastante usado em competições e
adaptações. Nos Landau, colaborou para a formação de um conjunto tão
homogêneo carro/motor que até hoje, a Ford recebe dezenas de encomendas
de Landau, mas não pode atender nenhuma. O volume de pedidos é tão alto
que chegou-se a cogitar a volta da fabricação deste carro no ano
passado, em regime quase artesanal, para atender seu público exclusivo. A
questão esbarrou no preço, que seria altíssimo (cerca de três vezes o
preço de um Diplomata) e o ferramental, que não existe mais. Por isso, o
Landau é mesmo pura saudade... O
CARRO DO PAPA
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Dentre
todas as honras que o Galaxie teve o prazer de protagonizar, com
certeza, a maior foi ser um ''Papamóvel''. Foi em 1980, quando
João Paulo II visitou o Brasil.
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O carro,
originalmente, era um Landau que, depois de 1.500 horas de trabalho
especializado, transformou-se no carro mais exclusivo até hoje
desenvolvido pela Ford no Brasil. Além das
identificações como brasões e placas, o ''Papamóvel'' teve instalado
um teto-solar na altura do banco traseiro (para o Papa ficar de pé
dentro do carro) e barras cromadas para servir de apoio. Internamente
havia quatro poltronas reclináveis, com revestimento em tecido cinza e
entre os bancos dianteiros havia um refrigerador a gelo seco. Este
Landau-Papamóvel foi utilizado durante a estada do Papa pelas cidades de
São Paulo, Aparecida do Norte e Salvador. |